{"id":2326,"date":"2021-03-25T11:44:36","date_gmt":"2021-03-25T14:44:36","guid":{"rendered":"http:\/\/cubataonoticias.com\/?p=2326"},"modified":"2021-03-25T11:49:05","modified_gmt":"2021-03-25T14:49:05","slug":"a-polemica-praca-para-a-biblia-em-cubatao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/new.cubataonoticias.com\/index.php\/2021\/03\/25\/a-polemica-praca-para-a-biblia-em-cubatao\/","title":{"rendered":"A pol\u00eamica pra\u00e7a para a B\u00edblia em Cubat\u00e3o."},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Inaugurada tr\u00eas anos depois do&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.novomilenio.inf.br\/cubatao\/cfoto035.htm\">Pa\u00e7o Municipal<\/a>, esta pra\u00e7a situada na&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.novomilenio.inf.br\/cubatao\/bvcouto.htm\">Vila Couto<\/a>, no centro cubatense, passou por v\u00e1rias transforma\u00e7\u00f5es. Estas fotos s\u00e3o da inaugura\u00e7\u00e3o, em 1978:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"550\" height=\"448\" src=\"\/\/i0.wp.com\/cubataonoticias.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/b02.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2329\" srcset=\"https:\/\/new.cubataonoticias.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/b02.jpg 550w, https:\/\/new.cubataonoticias.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/b02-300x244.jpg 300w, https:\/\/new.cubataonoticias.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/b02-516x420.jpg 516w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><figcaption>Arquivo hist\u00f3rico PMC.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>O&nbsp;<em>Monumento \u00e0 B\u00edblia<\/em>, instalado junto ao Pa\u00e7o Municipal, teve projeto e maquete de autoria de&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.novomilenio.inf.br\/cubatao\/cfoto049.htm\">Jean Luciano<\/a>, conforme requerimento do vereador Moacir Lara, aprovado pela&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.novomilenio.inf.br\/cubatao\/camara.htm\">C\u00e2mara Municipal<\/a>. No auge do regime militar, causou grande pol\u00eamica (foi dito que, vista do c\u00e9u, a obra lembraria o formato da su\u00e1stica nazista), motivo pelo qual Jean se afastou desse trabalho:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"\/\/i3.wp.com\/cubataonoticias.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tbtpraca-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2330\" srcset=\"https:\/\/new.cubataonoticias.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tbtpraca-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/new.cubataonoticias.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tbtpraca-300x169.jpg 300w, https:\/\/new.cubataonoticias.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tbtpraca-768x432.jpg 768w, https:\/\/new.cubataonoticias.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tbtpraca-696x391.jpg 696w, https:\/\/new.cubataonoticias.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tbtpraca-1068x600.jpg 1068w, https:\/\/new.cubataonoticias.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tbtpraca-747x420.jpg 747w, https:\/\/new.cubataonoticias.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tbtpraca.jpg 1366w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Foto: Felipe Lessa. Ano de 2020.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>A pra\u00e7a, por volta de 1990, antes da inaugura\u00e7\u00e3o em 1992 do complexo do Senai, na&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.novomilenio.inf.br\/cubatao\/cfoto060.htm\">Vila Couto<\/a>:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"550\" height=\"351\" src=\"\/\/i0.wp.com\/cubataonoticias.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/b04.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2331\" srcset=\"https:\/\/new.cubataonoticias.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/b04.jpg 550w, https:\/\/new.cubataonoticias.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/b04-300x191.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><figcaption>Foto: Arquivo\/Departamento de Imprensa\/Prefeitura Municipal de Cubat\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Em 2010, a pra\u00e7a foi reformada, retirando-se os mastros de bandeira que descaracterizavam o projeto original. Estas fotos foram feitas no fim da tarde de 20 de agosto, pouco antes da mudan\u00e7a, assim&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.marciarosa.com.br\/noticias\/article.php?storyid=4015\">noticiada<\/a>&nbsp;pela Prefeitura:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Pra\u00e7a da B\u00edblia de Cubat\u00e3o volta a ter aspecto original<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;em 20\/08\/2010 21:00:00<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>A partir da semana que vem ser\u00e1 feita a retirada dos mastros ao redor da Pra\u00e7a, a pedido do Condepac, Conselho de Defesa do Patrim\u00f4nio Cultural<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A partir de segunda-feira (23\/8) a Pra\u00e7a da B\u00edblia de Cubat\u00e3o vai retomar o aspecto que possu\u00eda quando foi constru\u00edda, no fim dos anos 70. Ser\u00e3o retirados os 19 mastros instalados ao redor do monumento. O servi\u00e7o vai ser feito pela Cursan, Companhia cubatense de Urbaniza\u00e7\u00e3o e Saneamento.<\/p>\n\n\n\n<p>A medida tem por objetivo devolver o aspecto original \u00e0 Pra\u00e7a, valorizando sua arquitetura e refletindo, ainda, o desejo do autor da obra, o franc\u00eas Jean Luciano. O pedido foi feito pelo Condepac, Conselho de Defesa do Patrim\u00f4nio Art\u00edstico da cidade, seguindo uma orienta\u00e7\u00e3o do manifesto urban\u00edstico de Atenas (1933) que orienta a retirada de todos os elementos urbanos que possam dificultar ou atrapalhar a visibilidade dos monumentos.<br><br>Constru\u00edda em 1978, logo ap\u00f3s a entrega dos pr\u00e9dios do Pa\u00e7o Municipal, a Pra\u00e7a da B\u00edblia fica em frente ao estacionamento p\u00fablico da Prefeitura. Al\u00e9m do monumento em concreto erguido no centro, possui algumas placas contendo a data da inaugura\u00e7\u00e3o, os dez mandamentos b\u00edblicos e outra escrita em hebraico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fonte: Informa Cubat\u00e3o<br>Texto: Morgana Monteiro<br>Fotos: Carla Martuscelli<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"550\" height=\"365\" src=\"\/\/i3.wp.com\/cubataonoticias.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/b07.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2333\" srcset=\"https:\/\/new.cubataonoticias.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/b07.jpg 550w, https:\/\/new.cubataonoticias.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/b07-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Autor do projeto, o artista&nbsp;<a href=\"mailto:jeanange.luciano@free.fr?subject=Contato%20via%20Jornal%20Eletr%C3%B4nico%20Novo%20Mil%C3%AAnio\">Jean Luciano<\/a>&nbsp;enviou a&nbsp;<em>Novo Mil\u00eanio<\/em>, da Fran\u00e7a, em 28\/1\/2011, depoimento sobre a Pra\u00e7a da B\u00edblia:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Idealiza\u00e7\u00e3o e elabora\u00e7\u00e3o do projeto do &#8220;Monumento \u00e0 B\u00edblia&#8221;<br>Para a Prefeitura Municipal de Cubat\u00e3o.<br><br>Projeto de lei do Sr. Moacir Lara<br>Vereador \u00e0 C\u00e2mara Municipal de Cubat\u00e3o<br><br>\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio de 1978 me chamaram \u00e0 Prefeitura de Cubat\u00e3o, se\u00e7\u00e3o de Obras, e propuseram-me fazer um estudo para um monumento.<br><br>Um &#8220;Monumento \u00e0 B\u00edblia&#8221;, projeto de Lei do Vereador Moacir Lara. Quando me indicaram o lugar, imediatamente percebi a import\u00e2ncia da obra. Localizada no centro do girat\u00f3rio, grande espa\u00e7o aberto frente ao Pa\u00e7o Municipal &#8220;Pia\u00e7ag\u00fcera&#8221; rec\u00e9m-inaugurado.<br><br>Com um misto de alegria e preocupa\u00e7\u00e3o, me pus na prancheta, face a uma folha branca. Talvez seja aquilo que deu vontade, pela responsabilidade, de procurar informa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para esta tarefa inusitada, t\u00e3o diferente do que era desenho e pintura. Aventura nova, excitante. E sobretudo estar \u00e0 altura, honrar a confian\u00e7a que o pessoal que eu conhecia tinha posto em mim. Estava sossegado, pois eu dominava perfeitamente o desenho t\u00e9cnico, tanto mec\u00e2nico como de arquitetura. No caso, tinha de tentar produzir algo de diferente, pela sua posi\u00e7\u00e3o central, privilegiada, tinha de pensar algo um pouco maior, onde talvez fossem necess\u00e1rios aqueles conhecimentos t\u00e9cnicos. N\u00e3o sabia na realidade o que eu faria, mas aquilo me tranq\u00fcilizava.<br><br>Uma obra art\u00edstica de encomenda h\u00e1 de ter apar\u00eancia determinada, e, terminada h\u00e1 de transmitir uma mensagem espec\u00edfica. Representar a B\u00edblia por um livro diria pouco, sim dum livro necessitando especificar. Procurar uma express\u00e3o, mais que uma representa\u00e7\u00e3o. Uma forma leve se poss\u00edvel, por, atrav\u00e9s do seu significado, sugerir em vez de ser.<br><br>Face \u00e0 folha branca, essas regras todas se conjugavam, se embaralhavam em esbo\u00e7os, desenhos, formas ef\u00eameras, suscitando, negando, sumindo e voltando modificadas\u2026 aproximando-se \u00e0s vezes e talvez duma quase solu\u00e7\u00e3o.<br><br>Tendo em mente as tr\u00eas religi\u00f5es monote\u00edstas, tentava idealizar algo, compor com tr\u00eas elementos. Imaginando figuras, entrela\u00e7ando, procurando representa\u00e7\u00f5es poss\u00edveis. Imbu\u00eddo de tudo o que poderia ajudar na idealiza\u00e7\u00e3o, na mente nosso mundo, suas religi\u00f5es, o espa\u00e7o, a luz, onde nasce a luz, no Leste, ponto abstrato, o dia nascendo l\u00e1 e morrendo acol\u00e1. Tudo ou nada, tudo \u00e9 relativo, num lugar deste nosso planeta \u00e9 sempre meio dia em contraposi\u00e7\u00e3o ao lugar onde \u00e9 sempre meia noite. Neste momento estamos no centro de Cubat\u00e3o, um ponto preciso do planeta onde as religi\u00f5es casualmente se encontram. E neste lugar central e preciso, o homem e sua f\u00e9. Ou n\u00e3o.<br><br>Os pontos cardeais sugerem-me uma orienta\u00e7\u00e3o de refer\u00eancia, vindo ou indo de todos os lugares do mundo, Leste, Oeste, Norte e Sul. Procurando uma ordem nas coisas, aparecem umas formas sutis, l\u00e2minas meramente simb\u00f3licas chegam a este lugar determinado. Aos poucos uma forma surge e se concretiza numa express\u00e3o abstrata, com a mat\u00e9ria sim, para simbolizar o imaterial, sugerindo uma sensa\u00e7\u00e3o de leveza, numa dire\u00e7\u00e3o nem pensada, para cima, ao espa\u00e7o.<br><br>Nesta procura da representa\u00e7\u00e3o, do espiritual pelo material e tamb\u00e9m perfazendo religi\u00e3o e est\u00e9tica, suprindo talvez uma falha me vieram ao pensamento o Budismo, Shinto\u00edsmo e outras filosofias \u00e9tico-religiosas orientais que, sem serem religi\u00f5es e n\u00e3o tendo nada a ver com a B\u00edblia, n\u00e3o deixam de serem vias inici\u00e1ticas e filosoficamente perto. N\u00e3o discriminando assim imensa parte da humanidade, numa vis\u00e3o mais ecl\u00e9tica e n\u00e3o desabonando em nada a representa\u00e7\u00e3o desejada.<br><br>Portanto, depois de muitos esbo\u00e7os e rascunhos, o monumento passara de tr\u00eas para quatro elementos. Quatro l\u00e2minas muito sutis postas numa base quadrada, que neste ponto se encontram e cada uma, neste curto espa\u00e7o-tempo elevam-se do horizonte para o alto. E s\u00f3.<br><br>Meras elucubra\u00e7\u00f5es fantasiosas, sugerindo, neste lugar preciso onde o expectador curioso, independentemente da sua cren\u00e7a, olhando a obra, pode sentir-se interpelado. Na parte superior, em vez de subir reta ou numa curvatura regular, passa a ser uma hip\u00e9rbole, e, seguindo as bordas superiores das l\u00e2minas, num movimento hiperb\u00f3lico sugerido, lan\u00e7a o olhar para o alto numa dimens\u00e3o et\u00e9rea, espiritual, longe das coisas terrenas.<br><br>Ou ent\u00e3o, para um espectador laico, simplesmente poder admirar a plasticidade duma obra. Abstrata. Aproveitando o girat\u00f3rio me veio id\u00e9ia de, na parte pr\u00f3xima ao centro, encurv\u00e1-las no tra\u00e7ado plano, dando um movimento helicoidal, e impulsionar, for\u00e7ar o olhar do espectador para o centro do monumento.<br><br>Com essas tor\u00e7\u00f5es combinadas das l\u00e2minas, um espectador que girasse em torno da pra\u00e7a, no sentido contr\u00e1rio \u00e0s agulhas dum rel\u00f3gio, teria a vis\u00e3o dirigida para o centro e para o alto, pelas l\u00e2minas encurvadas, como se fossem &#8220;velas&#8221;, velas inchadas pelo vento. Sendo o olhar do expectador impulsionado para o alto, para a luz, para Deus.<br><br>A idealiza\u00e7\u00e3o do monumento definida, a solu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica resumia-se no seguinte:<br><br>Partindo do meio da cal\u00e7ada para o centro da pra\u00e7a redonda, o passeio em toda a volta. Um pequeno murro delimita um gramado tamb\u00e9m circular, j\u00e1 parte do conjunto, com o monumento no seu centro. Neste centro uma estrutura quadrada, o alicerce sobre o qual se ap\u00f3ia a base do monumento. Em cima desta base sutil de concreto e em proje\u00e7\u00e3o nos quatros lados do alicerce, s\u00e3o erguidas as l\u00e2minas. A base determina simbolicamente a &#8220;linha do horizonte&#8221;, na altura da vis\u00e3o dum homem m\u00e9dio em p\u00e9.<br><br>Nela, numa orienta\u00e7\u00e3o certa, as l\u00e2minas se concretizam neste espa\u00e7o, vindo metaforicamente do Norte, Sul, Leste e Oeste; aproximam-se retil\u00ednea, crescendo em altura. Nesta aproxima\u00e7\u00e3o final encurvam-se em sentido contr\u00e1rio \u00e0s agulhas do rel\u00f3gio, mas n\u00e3o atingem o centro. Atra\u00eddas, eq\u00fcidistantes, as quatro l\u00e2minas giram em volta do centro. As l\u00e2minas atingem neste ponto a altura m\u00e1xima. Bem pr\u00f3ximo ao centro, sempre independentes umas das outras, tais as diferentes correntes religiosas da B\u00edblia.<br><br>****************<br><br>Para completar o monumento, uma referencia aos &#8220;Dez Mandamentos&#8221; era necess\u00e1ria. Preceitos b\u00e1sicos das correntes religiosas, expressos de modos diversos, mas presentes subjetivamente nas diferentes correntes.<br><br>Nenhuma inscri\u00e7\u00f5es sobre as &#8220;velas&#8221;, que devem permanecer imaculadas.<br><br>Recortei&nbsp;<strong>(*)<\/strong>&nbsp;ent\u00e3o na base quadrada do &#8220;horizonte&#8221;, pr\u00f3ximo aos cantos, quatro t\u00e1buas, arredondadas na parte superior e projetadas no gramado em volta. Cada uma delas face ao seu recorte, como fossem extra\u00eddas da base m\u00e3e terra. Mantendo a simetria do conjunto, sem acrescentar mat\u00e9ria.<br><br><strong>(*) &#8211; Passaram-se poucos dias e fui chamado \u00e0s pressas a Prefeitura, onde encontrei o pessoal alvoro\u00e7ado! Era absolutamente imperativo suprimir os &#8220;recortes&#8221;, aqueles vazios idealizados nos \u00e2ngulos da base do monumento. Deixando as t\u00e1buas conforme o projeto.<\/strong><br><br>Os vazios deixados pelas t\u00e1buas s\u00e3o impercept\u00edveis horizontalmente e n\u00e3o alteram em nada a plasticidade do monumento.<br><br>Em duas t\u00e1buas seriam gravados os Mandamentos, nas outras duas, eventualmente dizeres relativos \u00e0 boa vontade do autor do projeto de lei, Vereador Moacir Lara. E nas outras duas, escritas indicando as autoridades administrativas e construtores.<br><br>Eu conhecia o Sr. Moacir Lara, pastor evangelista, falecido j\u00e1 h\u00e1 muito tempo. Um homem de bem, gentil e delicado, alto, emanava dele uma certa autoridade, mas de \u00edndole bondosa.<br><br>Nunca falamos a respeito do Monumento. Tamb\u00e9m n\u00e3o o procurei, nem queria subir influ\u00eancia alguma.<br><br>*********************<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto acabado, voltei \u00e0 Prefeitura de Cubat\u00e3o, acharam-no muito interessante. Visto \u00e0 altura de cerca 06 m, e eventuais dificuldades de aprecia\u00e7\u00f5es dos leigos em plantas, malgrado uma perspectiva art\u00edstica da obra acabada, os respons\u00e1veis da Coordenadoria de Planejamento, me pediram de realizar uma maquete do monumento. O que ajudaria tamb\u00e9m para a licita\u00e7\u00e3o, dando uma vis\u00e3o imediata do conjunto.<br><br>Disseram tamb\u00e9m que, infelizmente, n\u00e3o tinha mais dinheiro para isso.<br><br>Ap\u00f3s tanto trabalho e perto da meta, eu n\u00e3o tinha outra solu\u00e7\u00e3o.<br><br>Com euforia resignada realizei a maqueta. O resultado foi muito apreciado.<br><br>Malgrado toda a minha imagina\u00e7\u00e3o e tanto tempo vivendo aquilo, pude constatar ent\u00e3o com satisfa\u00e7\u00e3o, em escala reduzida do monumento, o efeito imaginado e almejado daquele movimento helicoidal, descrito acima. Ou seja, girando a maqueta em sentido hor\u00e1rio, tinha-se a n\u00edtida impress\u00e3o que o conjunto das &#8220;velas&#8221; impulsionava o olhar para o alto.<br><br>Tinha conseguido, voltei \u00e0 Prefeitura de Cubat\u00e3o satisfeito.<br><br>*******************<br><br>&#8220;Algu\u00e9m&#8221; tinha visto na base do monumento, nem mais nem menos que a &#8220;su\u00e1stica&#8221;! A cruz gamada do nazismo! Fiquei incr\u00e9dulo. Pedi para saber de quem podia vir esta absurda constata\u00e7\u00e3o, sem resultado. Uma visualiza\u00e7\u00e3o que podia ser &#8220;inspirada&#8221; unicamente olhando o monumento por cima, e bastante imagina\u00e7\u00e3o, por serem os recortes discretos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 extens\u00e3o da base. O que era imposs\u00edvel para um expectador ao n\u00edvel da pra\u00e7a. Dum helic\u00f3ptero, talvez.<br><br>Fiquei chateado. O manifestei, e sem de novo levar o projeto no meu atelier, rasurei os recortes da base, e na maquete colei pedacinhos de pap\u00e9is escondendo tais recortes, a\u00ed mesmo. A base ficou simplesmente quadrada, borda lisa. Associei o fato \u00e0 situa\u00e7\u00e3o militar de exce\u00e7\u00e3o que n\u00f3s viv\u00edamos em Cubat\u00e3o com a interven\u00e7\u00e3o em vigor.<br><br>&#8220;Tudo bem, Jean! N\u00e3o fique aborrecido!&#8221;<br><br>Tinha realizado o que me foi pedido, era suficiente para a edifica\u00e7\u00e3o do monumento, caso fosse adiante.<br><br>Fiquei contrariado, a contragosto n\u00e3o segui a constru\u00e7\u00e3o.<br><br>Consciente da dificuldade que poderia ter na edifica\u00e7\u00e3o das l\u00e2minas, tinha entregue junto ao projeto uma sugest\u00e3o de como eu pretendia realiz\u00e1-las, sem impor. Um molde \u00fanico para executar as quatro laminas, id\u00eanticas, sobre uma base plana. Um trabalho de artista.<br><br>O molde \u00fanico em ferro, onde seria fundido o concreto com uma tela possivelmente n\u00e3o ferruginosa em vez de ferragem comum, visto a sutileza desejada, prevenindo uma eventual apari\u00e7\u00e3o da ferrugem que poderia surgir com o tempo. Eu tinha indicado 0,06 m de espessura. Ficou com 0.10 m, justamente, pois eu exigia muito, considerando a altura e necess\u00e1ria resist\u00eancia ao vento.<br><br>Concreto de cimento branco e p\u00f3 de m\u00e1rmore, para evitar um revestimento qualquer. O motivo n\u00e3o soube, ficou mesmo de concreto comum. Pintado de branco.<br><br>Algu\u00e9m tinha dado o n\u00famero do meu telefone ao mestre-de-obra, que umas vezes me chamou \u00e0 obra para pequenos detalhes e ao qual atendi com prazer. N\u00e3o tinha ele culpa alguma e era muito competente, pois vi nestas ocasi\u00f5es que estava indo bem.<br><br>Recebi o convite para a inaugura\u00e7\u00e3o, me desculpei e n\u00e3o fui.<br><br>********************<br><br>Anos depois, j\u00e1 esquecido do acontecido, numa esquina da vida algu\u00e9m me disse da tal chamada a respeito da &#8220;su\u00e1stica&#8221; e que provocou repara\u00e7\u00e3o. Foi devido a um artigo no jornal, onde tratava como hoje das not\u00edcias de Cubat\u00e3o e n\u00e3o se podia ficar sem fazer algo, tamb\u00e9m pelo fato que se vivia uma situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, com a interven\u00e7\u00e3o militar.<br><br>Ent\u00e3o, sem inten\u00e7\u00e3o outra que simples curiosidade, e confrontando as datas de quem podia ter escrito, era s\u00f3 uma pessoa, o correspondente a Cubat\u00e3o dum jornal da Baixada. Um jornalista falecido hoje.<br><br>Ent\u00e3o compreendi que a reprimenda n\u00e3o era especificamente a mim, mas \u00e0 situa\u00e7\u00e3o da \u00e9poca.<br><br>Era um bom amigo nosso, veio muitas vezes no nosso maravilhoso&nbsp;<em>chalet<\/em>&nbsp;tomar um caf\u00e9, bater um papo e se inteirar do que eu estava realizando, quando, com Clara, mor\u00e1vamos \u00e0 Rua Maranh\u00e3o 13, na Vila Santa Rosa em Cubat\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Jean Luciano<\/em>. Hy\u00e8res, janeiro 2011<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nota:<\/strong><br><br>Achei necess\u00e1ria a explana\u00e7\u00e3o acima, mesmo depois tanto tempo.<br><br>Um busto, uma est\u00e1tua, um monumento eq\u00fcestre, representa uma personalidade que podemos identificar. N\u00e3o h\u00e1 erros, contudo tem de personaliz\u00e1-la com um nome e basta.<br><br>No caso do &#8220;Monumento \u00e0 B\u00edblia&#8221; \u00e9 diferente. Eu quis dizer de como cheguei a esta conclus\u00e3o, pois este n\u00e3o tem uma representatividade visual expl\u00edcita. E tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 certo que duas pessoas estejam de acordo nas suas atribui\u00e7\u00f5es. Com esta apresenta\u00e7\u00e3o quis simplesmente dizer de como eu vi, senti, consegui expressar e concretizar.<br><br>Nem por isso \u00e9 uma explana\u00e7\u00e3o determinante e fica toda liberdade a quem tiver vis\u00e3o outra de sentir essas &#8220;velas&#8221;.<br><br>Um esclarecimento tamb\u00e9m necess\u00e1rio depois de tanto tempo, j\u00e1 no crep\u00fasculo das vidas dos personagens de ent\u00e3o&#8230; e redimir num certo modo esta modesta obra, de todas as interfer\u00eancias estranhas e deturpando o sentido a que me era proposto, pelas sucessivas administra\u00e7\u00f5es. Bem intencionadas estou certo, querendo enriquecer adornando e sobrecarregando o espa\u00e7o em volta e sem liga\u00e7\u00e3o nenhuma com o monumento. Obstruindo o sentido de pureza, simplicidade e liberdade ao qual foi destinado.<br><br>Nesta sua fei\u00e7\u00e3o atual, para mim e para muitos, penso, o monumento voltou a expressar a mensagem para a qual eu o idealizei.<br><br>Esta reabilita\u00e7\u00e3o a devo por inteiro \u00e0 grande sensibilidade de um amigo, o diretor do Arquivo e Biblioteca, Welington Ribeiro Borges, que, \u00e0 minha imensa surpresa, foi ele um dia que me disse a modo dele, passando perto, &#8220;Oh Jean! O que voc\u00ea acha daqueles mastros em volta do monumento?&#8221;<br><br>N\u00e3o tinha falado nada a respeito, mesmo se eu n\u00e3o gostasse. N\u00e3o tinha mais direitos, raz\u00f5es, pelo tempo que se passou\u2026<br><br>Muito obrigado sr. secret\u00e1rio da Cultura do Munic\u00edpio de Cubat\u00e3o, Welington Ribeiro Borges.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"504\" height=\"568\" src=\"\/\/i3.wp.com\/cubataonoticias.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/1007-2019-060737510551699114722-01.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2332\" srcset=\"https:\/\/new.cubataonoticias.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/1007-2019-060737510551699114722-01.jpeg 504w, https:\/\/new.cubataonoticias.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/1007-2019-060737510551699114722-01-266x300.jpeg 266w, https:\/\/new.cubataonoticias.com\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/1007-2019-060737510551699114722-01-373x420.jpeg 373w\" sizes=\"(max-width: 504px) 100vw, 504px\" \/><figcaption>Pra\u00e7a da B\u00edblia em 2021. Foto: Felipe Lessa.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Este conte\u00fado \u00e9 uma parceria do Cubat\u00e3o Not\u00edcias com o portal <a href=\"http:\/\/www.novomilenio.inf.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Novo Mil\u00eanio<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inaugurada tr\u00eas anos depois do&nbsp;Pa\u00e7o Municipal, esta pra\u00e7a situada na&nbsp;Vila Couto, no centro cubatense, passou por v\u00e1rias transforma\u00e7\u00f5es. Estas fotos s\u00e3o da inaugura\u00e7\u00e3o, em 1978: O&nbsp;Monumento \u00e0 B\u00edblia, instalado junto ao Pa\u00e7o Municipal, teve projeto e maquete de autoria de&nbsp;Jean Luciano, conforme requerimento do vereador Moacir Lara, aprovado pela&nbsp;C\u00e2mara Municipal. No auge do regime militar, causou grande pol\u00eamica (foi dito que, vista do c\u00e9u, a obra lembraria o formato da su\u00e1stica nazista), motivo pelo qual Jean se afastou desse trabalho: A pra\u00e7a, por volta de 1990, antes da inaugura\u00e7\u00e3o em 1992 do complexo do Senai, na&nbsp;Vila Couto: Em 2010, a pra\u00e7a foi reformada, retirando-se os mastros de bandeira que descaracterizavam o projeto original. Estas fotos foram feitas no fim da tarde de 20 de agosto, pouco antes da mudan\u00e7a, assim&nbsp;noticiada&nbsp;pela Prefeitura: Pra\u00e7a da B\u00edblia de Cubat\u00e3o volta a ter aspecto original &nbsp;em 20\/08\/2010 21:00:00 A partir da semana que vem ser\u00e1 feita a retirada dos mastros ao redor da Pra\u00e7a, a pedido do Condepac, Conselho de Defesa do Patrim\u00f4nio Cultural A partir de segunda-feira (23\/8) a Pra\u00e7a da B\u00edblia de Cubat\u00e3o vai retomar o aspecto que possu\u00eda quando foi constru\u00edda, no fim dos anos 70. Ser\u00e3o retirados os 19 mastros instalados ao redor do monumento. O servi\u00e7o vai ser feito pela Cursan, Companhia cubatense de Urbaniza\u00e7\u00e3o e Saneamento. A medida tem por objetivo devolver o aspecto original \u00e0 Pra\u00e7a, valorizando sua arquitetura e refletindo, ainda, o desejo do autor da obra, o franc\u00eas Jean Luciano. O pedido foi feito pelo Condepac, Conselho de Defesa do Patrim\u00f4nio Art\u00edstico da cidade, seguindo uma orienta\u00e7\u00e3o do manifesto urban\u00edstico de Atenas (1933) que orienta a retirada de todos os elementos urbanos que possam dificultar ou atrapalhar a visibilidade dos monumentos. Constru\u00edda em 1978, logo ap\u00f3s a entrega dos pr\u00e9dios do Pa\u00e7o Municipal, a Pra\u00e7a da B\u00edblia fica em frente ao estacionamento p\u00fablico da Prefeitura. Al\u00e9m do monumento em concreto erguido no centro, possui algumas placas contendo a data da inaugura\u00e7\u00e3o, os dez mandamentos b\u00edblicos e outra escrita em hebraico. Fonte: Informa Cubat\u00e3oTexto: Morgana MonteiroFotos: Carla Martuscelli Autor do projeto, o artista&nbsp;Jean Luciano&nbsp;enviou a&nbsp;Novo Mil\u00eanio, da Fran\u00e7a, em 28\/1\/2011, depoimento sobre a Pra\u00e7a da B\u00edblia: Idealiza\u00e7\u00e3o e elabora\u00e7\u00e3o do projeto do &#8220;Monumento \u00e0 B\u00edblia&#8221;Para a Prefeitura Municipal de Cubat\u00e3o. Projeto de lei do Sr. Moacir LaraVereador \u00e0 C\u00e2mara Municipal de Cubat\u00e3o \u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4 No in\u00edcio de 1978 me chamaram \u00e0 Prefeitura de Cubat\u00e3o, se\u00e7\u00e3o de Obras, e propuseram-me fazer um estudo para um monumento. Um &#8220;Monumento \u00e0 B\u00edblia&#8221;, projeto de Lei do Vereador Moacir Lara. Quando me indicaram o lugar, imediatamente percebi a import\u00e2ncia da obra. Localizada no centro do girat\u00f3rio, grande espa\u00e7o aberto frente ao Pa\u00e7o Municipal &#8220;Pia\u00e7ag\u00fcera&#8221; rec\u00e9m-inaugurado. Com um misto de alegria e preocupa\u00e7\u00e3o, me pus na prancheta, face a uma folha branca. Talvez seja aquilo que deu vontade, pela responsabilidade, de procurar informa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para esta tarefa inusitada, t\u00e3o diferente do que era desenho e pintura. Aventura nova, excitante. E sobretudo estar \u00e0 altura, honrar a confian\u00e7a que o pessoal que eu conhecia tinha posto em mim. Estava sossegado, pois eu dominava perfeitamente o desenho t\u00e9cnico, tanto mec\u00e2nico como de arquitetura. No caso, tinha de tentar produzir algo de diferente, pela sua posi\u00e7\u00e3o central, privilegiada, tinha de pensar algo um pouco maior, onde talvez fossem necess\u00e1rios aqueles conhecimentos t\u00e9cnicos. N\u00e3o sabia na realidade o que eu faria, mas aquilo me tranq\u00fcilizava. Uma obra art\u00edstica de encomenda h\u00e1 de ter apar\u00eancia determinada, e, terminada h\u00e1 de transmitir uma mensagem espec\u00edfica. Representar a B\u00edblia por um livro diria pouco, sim dum livro necessitando especificar. Procurar uma express\u00e3o, mais que uma representa\u00e7\u00e3o. Uma forma leve se poss\u00edvel, por, atrav\u00e9s do seu significado, sugerir em vez de ser. Face \u00e0 folha branca, essas regras todas se conjugavam, se embaralhavam em esbo\u00e7os, desenhos, formas ef\u00eameras, suscitando, negando, sumindo e voltando modificadas\u2026 aproximando-se \u00e0s vezes e talvez duma quase solu\u00e7\u00e3o. Tendo em mente as tr\u00eas religi\u00f5es monote\u00edstas, tentava idealizar algo, compor com tr\u00eas elementos. Imaginando figuras, entrela\u00e7ando, procurando representa\u00e7\u00f5es poss\u00edveis. Imbu\u00eddo de tudo o que poderia ajudar na idealiza\u00e7\u00e3o, na mente nosso mundo, suas religi\u00f5es, o espa\u00e7o, a luz, onde nasce a luz, no Leste, ponto abstrato, o dia nascendo l\u00e1 e morrendo acol\u00e1. Tudo ou nada, tudo \u00e9 relativo, num lugar deste nosso planeta \u00e9 sempre meio dia em contraposi\u00e7\u00e3o ao lugar onde \u00e9 sempre meia noite. Neste momento estamos no centro de Cubat\u00e3o, um ponto preciso do planeta onde as religi\u00f5es casualmente se encontram. E neste lugar central e preciso, o homem e sua f\u00e9. Ou n\u00e3o. Os pontos cardeais sugerem-me uma orienta\u00e7\u00e3o de refer\u00eancia, vindo ou indo de todos os lugares do mundo, Leste, Oeste, Norte e Sul. Procurando uma ordem nas coisas, aparecem umas formas sutis, l\u00e2minas meramente simb\u00f3licas chegam a este lugar determinado. Aos poucos uma forma surge e se concretiza numa express\u00e3o abstrata, com a mat\u00e9ria sim, para simbolizar o imaterial, sugerindo uma sensa\u00e7\u00e3o de leveza, numa dire\u00e7\u00e3o nem pensada, para cima, ao espa\u00e7o. Nesta procura da representa\u00e7\u00e3o, do espiritual pelo material e tamb\u00e9m perfazendo religi\u00e3o e est\u00e9tica, suprindo talvez uma falha me vieram ao pensamento o Budismo, Shinto\u00edsmo e outras filosofias \u00e9tico-religiosas orientais que, sem serem religi\u00f5es e n\u00e3o tendo nada a ver com a B\u00edblia, n\u00e3o deixam de serem vias inici\u00e1ticas e filosoficamente perto. N\u00e3o discriminando assim imensa parte da humanidade, numa vis\u00e3o mais ecl\u00e9tica e n\u00e3o desabonando em nada a representa\u00e7\u00e3o desejada. Portanto, depois de muitos esbo\u00e7os e rascunhos, o monumento passara de tr\u00eas para quatro elementos. Quatro l\u00e2minas muito sutis postas numa base quadrada, que neste ponto se encontram e cada uma, neste curto espa\u00e7o-tempo elevam-se do horizonte para o alto. E s\u00f3. Meras elucubra\u00e7\u00f5es fantasiosas, sugerindo, neste lugar preciso onde o expectador curioso, independentemente da sua cren\u00e7a, olhando a obra, pode sentir-se interpelado. Na parte superior, em vez de subir reta ou numa curvatura regular, passa a ser uma hip\u00e9rbole, e, seguindo as bordas superiores das l\u00e2minas, num movimento hiperb\u00f3lico sugerido, lan\u00e7a o olhar para o alto numa dimens\u00e3o et\u00e9rea, espiritual, longe das coisas terrenas. 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O pedido foi feito pelo Condepac, Conselho de Defesa do Patrim\u00f4nio Art\u00edstico da cidade, seguindo uma orienta\u00e7\u00e3o do manifesto urban\u00edstico de Atenas (1933) que orienta a retirada de todos os elementos urbanos que possam dificultar ou atrapalhar a visibilidade dos monumentos. Constru\u00edda em 1978, logo ap\u00f3s a entrega dos pr\u00e9dios do Pa\u00e7o Municipal, a Pra\u00e7a da B\u00edblia fica em frente ao estacionamento p\u00fablico da Prefeitura. Al\u00e9m do monumento em concreto erguido no centro, possui algumas placas contendo a data da inaugura\u00e7\u00e3o, os dez mandamentos b\u00edblicos e outra escrita em hebraico. 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Localizada no centro do girat\u00f3rio, grande espa\u00e7o aberto frente ao Pa\u00e7o Municipal &#8220;Pia\u00e7ag\u00fcera&#8221; rec\u00e9m-inaugurado. Com um misto de alegria e preocupa\u00e7\u00e3o, me pus na prancheta, face a uma folha branca. Talvez seja aquilo que deu vontade, pela responsabilidade, de procurar informa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para esta tarefa inusitada, t\u00e3o diferente do que era desenho e pintura. Aventura nova, excitante. E sobretudo estar \u00e0 altura, honrar a confian\u00e7a que o pessoal que eu conhecia tinha posto em mim. Estava sossegado, pois eu dominava perfeitamente o desenho t\u00e9cnico, tanto mec\u00e2nico como de arquitetura. No caso, tinha de tentar produzir algo de diferente, pela sua posi\u00e7\u00e3o central, privilegiada, tinha de pensar algo um pouco maior, onde talvez fossem necess\u00e1rios aqueles conhecimentos t\u00e9cnicos. N\u00e3o sabia na realidade o que eu faria, mas aquilo me tranq\u00fcilizava. 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Estas fotos s\u00e3o da inaugura\u00e7\u00e3o, em 1978: O&nbsp;Monumento \u00e0 B\u00edblia, instalado junto ao Pa\u00e7o Municipal, teve projeto e maquete de autoria de&nbsp;Jean Luciano, conforme requerimento do vereador Moacir Lara, aprovado pela&nbsp;C\u00e2mara Municipal. No auge do regime militar, causou grande pol\u00eamica (foi dito que, vista do c\u00e9u, a obra lembraria o formato da su\u00e1stica nazista), motivo pelo qual Jean se afastou desse trabalho: A pra\u00e7a, por volta de 1990, antes da inaugura\u00e7\u00e3o em 1992 do complexo do Senai, na&nbsp;Vila Couto: Em 2010, a pra\u00e7a foi reformada, retirando-se os mastros de bandeira que descaracterizavam o projeto original. Estas fotos foram feitas no fim da tarde de 20 de agosto, pouco antes da mudan\u00e7a, assim&nbsp;noticiada&nbsp;pela Prefeitura: Pra\u00e7a da B\u00edblia de Cubat\u00e3o volta a ter aspecto original &nbsp;em 20\/08\/2010 21:00:00 A partir da semana que vem ser\u00e1 feita a retirada dos mastros ao redor da Pra\u00e7a, a pedido do Condepac, Conselho de Defesa do Patrim\u00f4nio Cultural A partir de segunda-feira (23\/8) a Pra\u00e7a da B\u00edblia de Cubat\u00e3o vai retomar o aspecto que possu\u00eda quando foi constru\u00edda, no fim dos anos 70. Ser\u00e3o retirados os 19 mastros instalados ao redor do monumento. O servi\u00e7o vai ser feito pela Cursan, Companhia cubatense de Urbaniza\u00e7\u00e3o e Saneamento. A medida tem por objetivo devolver o aspecto original \u00e0 Pra\u00e7a, valorizando sua arquitetura e refletindo, ainda, o desejo do autor da obra, o franc\u00eas Jean Luciano. O pedido foi feito pelo Condepac, Conselho de Defesa do Patrim\u00f4nio Art\u00edstico da cidade, seguindo uma orienta\u00e7\u00e3o do manifesto urban\u00edstico de Atenas (1933) que orienta a retirada de todos os elementos urbanos que possam dificultar ou atrapalhar a visibilidade dos monumentos. Constru\u00edda em 1978, logo ap\u00f3s a entrega dos pr\u00e9dios do Pa\u00e7o Municipal, a Pra\u00e7a da B\u00edblia fica em frente ao estacionamento p\u00fablico da Prefeitura. Al\u00e9m do monumento em concreto erguido no centro, possui algumas placas contendo a data da inaugura\u00e7\u00e3o, os dez mandamentos b\u00edblicos e outra escrita em hebraico. Fonte: Informa Cubat\u00e3oTexto: Morgana MonteiroFotos: Carla Martuscelli Autor do projeto, o artista&nbsp;Jean Luciano&nbsp;enviou a&nbsp;Novo Mil\u00eanio, da Fran\u00e7a, em 28\/1\/2011, depoimento sobre a Pra\u00e7a da B\u00edblia: Idealiza\u00e7\u00e3o e elabora\u00e7\u00e3o do projeto do &#8220;Monumento \u00e0 B\u00edblia&#8221;Para a Prefeitura Municipal de Cubat\u00e3o. Projeto de lei do Sr. Moacir LaraVereador \u00e0 C\u00e2mara Municipal de Cubat\u00e3o \u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4\u00a4 No in\u00edcio de 1978 me chamaram \u00e0 Prefeitura de Cubat\u00e3o, se\u00e7\u00e3o de Obras, e propuseram-me fazer um estudo para um monumento. Um &#8220;Monumento \u00e0 B\u00edblia&#8221;, projeto de Lei do Vereador Moacir Lara. Quando me indicaram o lugar, imediatamente percebi a import\u00e2ncia da obra. Localizada no centro do girat\u00f3rio, grande espa\u00e7o aberto frente ao Pa\u00e7o Municipal &#8220;Pia\u00e7ag\u00fcera&#8221; rec\u00e9m-inaugurado. Com um misto de alegria e preocupa\u00e7\u00e3o, me pus na prancheta, face a uma folha branca. Talvez seja aquilo que deu vontade, pela responsabilidade, de procurar informa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para esta tarefa inusitada, t\u00e3o diferente do que era desenho e pintura. Aventura nova, excitante. E sobretudo estar \u00e0 altura, honrar a confian\u00e7a que o pessoal que eu conhecia tinha posto em mim. Estava sossegado, pois eu dominava perfeitamente o desenho t\u00e9cnico, tanto mec\u00e2nico como de arquitetura. No caso, tinha de tentar produzir algo de diferente, pela sua posi\u00e7\u00e3o central, privilegiada, tinha de pensar algo um pouco maior, onde talvez fossem necess\u00e1rios aqueles conhecimentos t\u00e9cnicos. N\u00e3o sabia na realidade o que eu faria, mas aquilo me tranq\u00fcilizava. Uma obra art\u00edstica de encomenda h\u00e1 de ter apar\u00eancia determinada, e, terminada h\u00e1 de transmitir uma mensagem espec\u00edfica. Representar a B\u00edblia por um livro diria pouco, sim dum livro necessitando especificar. Procurar uma express\u00e3o, mais que uma representa\u00e7\u00e3o. Uma forma leve se poss\u00edvel, por, atrav\u00e9s do seu significado, sugerir em vez de ser. Face \u00e0 folha branca, essas regras todas se conjugavam, se embaralhavam em esbo\u00e7os, desenhos, formas ef\u00eameras, suscitando, negando, sumindo e voltando modificadas\u2026 aproximando-se \u00e0s vezes e talvez duma quase solu\u00e7\u00e3o. Tendo em mente as tr\u00eas religi\u00f5es monote\u00edstas, tentava idealizar algo, compor com tr\u00eas elementos. Imaginando figuras, entrela\u00e7ando, procurando representa\u00e7\u00f5es poss\u00edveis. 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Aos poucos uma forma surge e se concretiza numa express\u00e3o abstrata, com a mat\u00e9ria sim, para simbolizar o imaterial, sugerindo uma sensa\u00e7\u00e3o de leveza, numa dire\u00e7\u00e3o nem pensada, para cima, ao espa\u00e7o. Nesta procura da representa\u00e7\u00e3o, do espiritual pelo material e tamb\u00e9m perfazendo religi\u00e3o e est\u00e9tica, suprindo talvez uma falha me vieram ao pensamento o Budismo, Shinto\u00edsmo e outras filosofias \u00e9tico-religiosas orientais que, sem serem religi\u00f5es e n\u00e3o tendo nada a ver com a B\u00edblia, n\u00e3o deixam de serem vias inici\u00e1ticas e filosoficamente perto. N\u00e3o discriminando assim imensa parte da humanidade, numa vis\u00e3o mais ecl\u00e9tica e n\u00e3o desabonando em nada a representa\u00e7\u00e3o desejada. Portanto, depois de muitos esbo\u00e7os e rascunhos, o monumento passara de tr\u00eas para quatro elementos. 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